Conheça 7 diretoras brasileiras em destaque

A presença feminina em posições de liderança no audiovisual brasileiro ainda é muito baixa. Apesar de aparecerem mais em cargos de produção (41%), as mulheres ainda ocupam apenas 17% das posições de direção, segundo pesquisa realizada pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) em 2016. O levantamento também apurou que os salários das profissionais nessas posições é 13% mais baixo que o de homens. 

Os dados mostram um sistema que se arrasta por décadas priorizando os homens e deslegitimando a potência das mulheres. O cenário se agrava ainda mais em meio ao momento crítico da Cultura no Brasil, em que as políticas governamentais não favorecem as produções e a pandemia de Covid-19 impacta negativamente a indústria do entretenimento. 

Mesmo assim, não são poucos os nomes de mulheres que deixaram sua marca na  história do audiovisual brasileiro. Seja com curtas-metragens, longas, documentários ou séries, com abordagens mais voltadas para o cinema de arte ou sucessos comerciais, elas imprimem ideias e visões únicas sobre questões humanas já tão viciadas pela ótica masculina.

No Mês da Mulher, voltamos a dar ênfase às diversas vozes femininas que continuam a brilhar na sétima arte. A Abrolhos Filmes selecionou alguns nomes de diretoras que vêm se destacando no audiovisual nacional:

Joyce Prado
Iniciou a carreira na cena musical paulistana e na publicidade e, com os primeiros trabalhos em assistência de produção, decidiu migrar para o cinema. Depois de Fábula de Vó Ita (2016), seu primeiro curta-metragem, despertou uma necessidade de focar sua carreira em narrativas negras. A partir daí, produziu Okán Mimó: Olhares e Palavras de Afeto (2017), Cartas de Maio (2018) e Memórias de um Corpo no Mundo (2018). Em 2020, dirigiu o documentário Chico Rei Entre Nós (2020), premiado na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Hoje, também comanda a produtora Oxalá Produções e é Diretora Administrativa da APAN (Associação de Profissionais do Audiovisual Negro).

Beatriz Seigner
Diretora, roteirista, produtora e fundadora da Miríade Filmes, alcançou prestígio internacional com Los Silencios (2018), lançado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Com o longa, ganhou prêmios nos festivais de cinema de Brasília, Cartagena, Havana e San Sebástian. Também foi roteirista, diretora e produtora de Bollywood Dream (2009), primeira co-produção entre Brasil e Índia. Em 2020, foi convidada pela Abrolhos Filmes para dirigir A Vida Bruta dos Animais do Céu, escrito por Guilherme Zanella. 

Marina Meliande
Cineasta e produtora carioca, Marina é sócia-fundadora da Duas Mariolas Filmes. Em parceria com Felipe Bragança, dirigiu dois curtas premiados, Por Dentro de uma Gota D’água (2003)  e O Nome dele (o clóvis) (2004), e três longas: A Fuga da Mulher Gorila, lançado no Festival de Locarno 2009; A Alegria, lançado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2010; e Desassossego, filme das maravilhas,  filme coletivo lançado no Festival de Rotterdam 2011. Seu primeiro longa de direção solo, Mormaço (2018) teve estreia mundial na competição do Festival de Rotterdam. Como montadora, Marina trabalhou em mais de 50 filmes. 

Caroline Fioratti
Com 15 anos de experiência no mercado audiovisual, Caroline é conhecida pela direção de Meus 15 Anos, da Paris Filmes, uma das maiores bilheterias nacionais de 2017. Também criou, roteirizou e dirigiu a série infanto-juvenil A Grande Viagem (TV Brasil), indicada ao Internacional Emmy Awards – Kids 2019, e duas temporadas da série médica Unidade Básica. Com previsão de estreia para 2021, assumiu a direção da série investigativa policial Os Ausentes, para a TNT. Caroline busca falar sobre temas relevantes, como conflitos adolescentes, doenças mentais, intolerância religiosa e feminismo. 

Grace Passô
Reconhecida atriz mineira, por 10 anos assinou a dramaturgia dos espetáculos do Espanca!, grupo de teatro que fundou em 2004. No cinema, atuou em filmes como Elon Não Acredita na Morte (2016), de Ricardo Alves Júnior, e Praça Paris (2017), de Lúcia Murat. A partir de 2016, Grace passa a criar no audiovisual. Dirigiu o longa Vaga Carne (2020), em parceria com Ricardo Alves Júnior, e o curta República (2020), que ganhou o prêmio de Melhor Curta-Metragem no Festival Brasília de Cinema Brasileiro. Realizado durante a quarentena, dentro da própria casa da diretora, o curta tem como foco o Brasil – a protagonista recebe a notícia de que o país não existe, é apenas um sonho.

Viviane Ferreira
Diretora, roteirista e advogada especializada em direito do entretenimento, é sócia-diretora da Odun Filmes, presidente da SPCine e Diretora Artística do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África, Caribe e Outras Diásporas. Seu curta O dia de Jerusa (2014) foi expandido e virou longa-metragem. 

Juliana Rojas
Ainda quando estudava na ECA-USP, deu início à parceria com Marcos Dutra, com quem dirigiu O lençol branco (2004), que participou da mostra Cinéfondation do Festival de Cannes, dedicada a filmes de escola. Os dois também trabalharam juntos nos curtas Um ramo (2007) e Trabalhar cansa (2011). Solo, dirigiu os também curtas-metragem Pra eu dormir tranqüilo (2011) e Vestida (2008). Em 2017, com As boas maneiras, foi selecionada para festivais e recebeu diversos prêmios, como o de Melhor Filme no Festival do Rio e uma Menção Especial do Júri em Locarno. Participou da equipe de roteiro e direção, respectivamente, das séries brasileiras da Netflix 3% (2016) e Boca a Boca (2020). 

 

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