Direct To Consumer: Streaming e as mudanças de paradigma no audiovisual em 2021

Inicialmente agendada para o final de fevereiro de 2020 no Brasil e na América do Norte, a estreia do live-action de “Mulan” foi adiada mais de duas vezes devido à pandemia, até que ganhou enfim uma data oficial nos EUA: 4 de setembro. O lançamento, contudo, foi marcado por uma estratégia fora da curva.

Os estúdios Disney anunciaram que o clássico seria disponibilizado exclusivamente no serviço de streaming Disney+, com um custo adicional para assinantes de US$ 30 (cerca de R$ 159). Isso mesmo: fora do circuito de cinema. Porém, o Premier Access, como foi batizada a cobrança, não fez muito sucesso. Por isso, o lançamento da animação “Soul”, no dia de Natal, também foi somente no streaming, mas não exigiu taxas extras.

As duas estreias mostram tentativas da Disney de se adaptar a uma nova realidade no mercado audiovisual, reflexo de um ano difícil e cheio de transformações. Diante do isolamento social, salas de cinema fecharam temporária ou definitivamente, produções foram paralisadas, adiadas ou até canceladas, e a audiência de vídeos on-line e streaming teve um boom jamais visto.

O acirramento inesperado do consumo das plataformas e conteúdos não-lineares foi impactante para os players do audiovisual, que seguiam seu caminho para o futuro a passos cautelosos e, bruscamente, tiveram que usar todas as suas cartas na manga para reorganizar-se e minimizar os efeitos da crise. 

A estratégia adotada pela Disney, a DTC (Direct To Consumer), destaca-se por dar preferência à entrega direta para o assinante de seu serviço de streaming, sem intermediários, o que coloca as salas de cinema em outro patamar de prioridade. Estaria decretado o fim das telonas? O lançamento de “Wonder Woman 1984” sinaliza que existem alternativas.  

Nesse caso, o modelo adotado pela WarnerMedia foi híbrido: na mesma data, o filme foi exibido nas salas de cinema – as que estavam abertas – e também foi disponibilizado no HBO Max. Ao fazer o anúncio, a Warner ainda adiantou que o lançamento de 17 produções previstas para 2021 – incluindo “The Matrix 4”, “Dune” e “The Suicide Squad” – seguirão a mesma linha.

Sobre o caso, em matéria para o Hollywood Reporter, a presidente da Universal Filmed Entertainment Group Donna Langley disse que o modelo “vai além do Covid”. “Estamos inovando, pensando em nosso futuro e protegendo nossos cineastas”, afirmou Langley.  

A transição para as plataformas é uma mudança de paradigma, mas não necessariamente exclui a experiência física. Fazendo uma analogia, mesmo que priorizem plataformas digitais de música, como o Spotify, artistas continuam a lançar discos em CD, vinil e até em fita cassete, às vezes de forma simultânea, às vezes não. Isso também não eliminou nossa vontade de frequentar shows e concertos, não é?

Em um mundo em que tudo se tornou híbrido graças à internet, não é difícil imaginar uma realidade pós-pandêmica em que o mercado audiovisual também funcione nessa lógica. Como o próprio CEO da Disney Bob Chapek declarou em dezembro no evento Investor Day: “We’re all about flexibility” ou “Estamos na onda da flexibilidade”.

Créditos de imagem: Disney

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