O cinema completa 125 anos; graças às pessoas

Foi em 28 de dezembro de 1895 que os irmãos Lumière exibiram um filme criado no cinematógrafo em sessão pública, pela primeira vez. No Brasil, o cinema chegou décadas mais tarde, em 1950, e não demorou para se tornar parte importante da formação da identidade de nosso povo. 

 

No começo, as estreias de novos filmes eram grandes eventos sociais e os filmes se construíram em cima do entretenimento. A brasilidade e as desigualdades do país foram depois retratadas em obras do Cinema Novo. Ao mesmo tempo, começava a se popularizar a revolução tecnológica do momento: a televisão. 

 

Com o passar dos anos, ao mesmo tempo que as salas de cinema se multiplicavam, assistir filmes em casa passou a ser algo mais frequente. Vieram o VHS, depois o DVD, as séries se popularizaram. Em 1995, a Retomada do Cinema Brasileiro trouxe novos ares e prestígio internacional à produção audiovisual nacional. 

 

A partir de 2011, o Brasil produz comédias de enorme sucesso comercial e o cinema experimental também alcança o estrangeiro. A tecnologia 4G se dissemina com os smartphones e outros dispositivos móveis e, entre 2017 e 2018, o consumo de vídeos online aumenta 135% com o Youtube e plataformas de filmes on demand. 

 

Hoje, vemos surgir novas redes sociais totalmente focadas em vídeo, como o TikTok, que virou febre entre os brasileiros, sempre à frente na adoção de novas mídias. No mesmo ano em que o cinema completou seus 125 anos, essa indústria vive uma das maiores – senão a maior –  disrupção de sua história, com a chegada da pandemia de Covid-19. 

 

Com o isolamento social, nos agarramos às imagens em movimento para viajar sem sair do lugar, aprender, refletir, nos emocionar e nos entreter. A paralisação da vida lá fora fez as telonas perderem drasticamente a sua força para as telinhas, algo que já estava no radar, mas que provavelmente levaria décadas para acontecer. 

 

E como aconteceu durante toda a sua história, o audiovisual se moldou de acordo com as oscilações de comportamento dos consumidores. Em alguns meses, estúdios dominantes da indústria redesenharam suas estratégias e passaram a fazer grandes lançamentos em seus serviços de streaming. E os roteiros foram reinventados para contemplar novos públicos e grupos marginalizados por décadas, com narrativas mais humanizadas e reais. 

 

Se as telonas voltarão a todo vapor em breve é difícil prever, mas o período tem servido para reforçar a maior verdade sobre o cinema: ele é feito por pessoas, sobre pessoas e para pessoas de diversas origens, credos e gêneros. E essa diversidade de olhares que garantirá sua sobrevivência por mais 125 anos. 

 

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