O olhar dos dados na produção executiva

Como responsável pelas estratégias de viabilização, estruturação e comercialização de filmes e séries, faz parte da rotina do produzir entraves no desempenho de suas funções. Mas é fácil de imaginar que esses desafios foram muito amplificados durante uma pandemia de Covid-19. 

 

Entre as barreiras práticas destaco os atrasos da comunicação totalmente on-line, como dificuldades para conseguir financiamento e parceiros, como limitações de locações, equipe e elenco, os maiores custos devido à exigência de equipamentos de proteção, tudo isso levando à maior lentidão na produção de projetos. 

 

Diante do cenário de mudanças rápidas na sociedade e na cultura, que demandam ações mais proativas, acredito que a tarefa mais trabalhosa que estamos enfrentando é encontrar perspectivas em termos da entrega de conteúdos customizados para os diferentes perfis de consumidores, ao mesmo tempo em que se obtém retorno financeiro. 

 

Mais do que nunca, uma produção executiva precisa conduzir um bom processo de seleção de projetos, talentos e equipe, articulando os diversos “criativos”, para fornecer informações mais relevantes e mais alinhadas com o que demandam os diversos públicos e canais. Nesse sentido, quanto mais informações precisas e esclarecido tivermos sobre os assuntos e demandas da audiência, mais descomplicado fica esse processo. 

 

Por isso, boas pesquisas e análises de dados têm grandes aliados do mercado audiovisual.

 

O big data apresenta quatro características chave: volume, velocidade, variedade e veracidade. Munida componentes, uma fonte de informações valiosas sobre as tendências em relação ao conteúdo a partir das quais consegue prever perfis de orçamento, equipe e como plataformas ideais para trabalhar determinado projeto. 

 

Os benefícios são imensos e diversos em todos os processos da produção executiva: a redução de despesas da produção, já que é possível escrever roteiros e gravar cenas de forma mais precisa; tomada de decisões mais rápidas sobre castings e equipes; mais chances de sucesso com lançamentos e menores riscos, pois a produção de longas e séries fica mais alinhada com os gostos e demandas da audiência; campanhas de marketing mais certeiras; e, conseqüentemente, vendas e lucratividade ampliadas. 

 

Um exemplo de como o uso da análise de dados poderia ter economizado muito tempo foi a produção de “Chico Rei Entre Nós”. Tivemos um processo longo de montagem do documentário, que durou um ano. O conhecimento trazido pela diretora Joyce Prado foi valiosíssimo e essencial, mas se deu em uma construção gradual e cuidadosa. Se tivéssemos aliado essa experiência a uma pesquisa prévia do público-alvo com análise do big data, teríamos uma base para tomar decisões rápidas e precisas, diminuindo o tempo de montagem.

 

Os dados são o grande trunfo desta década e se tornam ainda mais importantes em um mundo pós-pandemia no qual o virtual sobrepôs o real. Eles ajudam a compreender melhor os perfis dos consumidores e o mundo em si para desenvolver conteúdos personalizados e direcionados. Mas, no fim do dia, também são apenas uma ferramenta entre várias, incluindo uma experiência e a criatividade, que são intrinsecamente humanas e não podem ser descartadas. 

créditos de imagem: Markus Spiske

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