Os riscos de patrocinar um reality show

Um novo ano começa e o Big Brother Brasil novamente está entre os assuntos mais comentados na internet. A 21ª edição do reality show tem o maior número de patrocinadores máster da história do programa. São oito: Americanas, PicPay, Avon, C&A, Amstel, Seara, McDonald’s e P&G

O que as marcas não previram, contudo, é que desta vez o programa começaria em um clima pesado. Logo na primeira semana, surgiram diversos conflitos entre os brothers que trouxeram à tona discussões sobre racismo, intolerância, assédio e tortura psicológica. 

O ponto alto foi a desistência de Lucas Penteado com duas semanas de confinamento, depois de não aguentar a pressão psicológica que sofreu de alguns brothers, entre os quais a rapper Karol Conká, que se tornou a participante mais odiada do momento. 

Não demorou muito para que o público começasse a cobrar posições da Rede Globo e dos patrocinadores perante o caso.  Na prova do líder promovida pela a Coca-Cola, tivemos um exemplo emblemático de como vem funcionando a dinâmica da relação marca x audiência.  

Na disputa em questão, Karol foi a ganhadora. Isso fez com que disparassem as reclamações na internet, que associaram a marca às atitudes da artista. Ainda, o resultado reverberou positivamente em sua maior concorrente, a Pepsi, cujas buscas subiram absurdamente. 

A Coca-Cola gastou milhões com o patrocínio. Para a Pepsi, o custo foi zero.

Em tempos no qual o consumidor está mais atento e exigente quanto ao posicionamento de quem acompanha, o que aconteceu no BBB serve como um alerta para que as marcas façam uma boa avaliação de valores antes de patrocinar um reality show ou firmarem parcerias com outras empresas. 

Ao mesmo tempo em que uma grande exposição – em horário nobre na televisão aberta – gera impactos positivos, há também envolvimento em diversas conversas que podem surgir. É preciso estar preparado para a imprevisibilidade e se posicionar com clareza e verdade.

Mais do que isso, o trabalho vem de antes. Não é possível controlar os humores da audiência, mas está sim nas mãos de marcas influentes ter responsabilidade – principalmente em 2021 – e traçar estratégias levando em conta a diversidade, a sustentabilidade, a aposta na empatia e nas conexões reais com os consumidores.

Créditos de imagem: Reprodução GShow

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *